Eleição presidencial no Brasil em 1955 Índice Contexto histórico | Candidatos | Resultados | Movimento de 11 de novembro e a Posse | Referências Menu de navegação«Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida»«TONELEROS, ATENTADO DA |»«O atentado da Rua Tonelero»Por que Getúlio se matou?«1954: Brazilian president found dead»João Fernandes Campos Café FilhoCarlos LuzNereu RamosPágina 8Constituição de 1946 dos Estados Unidos do Brasil/Título I/Capítulo III/Artigo 82Jingle da campanha à presidência de JK em 1955 Página 9Página 11Página 13«Cédula eleitoral»Eleição Presidencial - 3 de outubro de 1955 (Domingo).Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral (página do IBGE)JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembroBiblioteca Nacional DigitalCanrobert Pereira da CostaFGV/CPDOCBiblioteca Nacional DigitalJK rumo à presidência: Movimento 11 de novembroCarlos LuzFGV/CPDOCJK rumo à presidência: Movimento 11 de novembroNereu RamosFGV/CPDOCJK rumo à presidência: O difícil caminho da candidaturaJuscelino KubitschekFGV/CPDOCe

Eleições gerais no Brasil em 1955Eleições presidenciais no Brasil


Nereu RamosPSDJuscelino KubitschekPSDJoão GoulartPartido Trabalhista Brasileirodireta5 de agosto1954Carlos LacerdaTribuna da Imprensatentativa de assassinatoRubens VazGregório FortunatoGetúlio Vargasmilitares24 de agosto1954Palácio do CateteRio de JaneiropotiguarJoão Café FilhoUDNataque cardíacoPresidente da Câmara dos DeputadosCarlos Luzgolpe de EstadoCongressopresidente do SenadoNereu RamosPernambucoEtelvino LinsConstituição de 194631 de janeiro1951Partido Social DemocráticoPartido Trabalhista BrasileiroPartido RepublicanoPartido Trabalhista NacionalPartido Social TrabalhistaPartido Republicano Trabalhistagovernador de Minas GeraisJuscelino Kubitschekcentristamarchinha de carnavalnacionalismopopulismoPernambucoSanta CatarinaRio Grande do SulMaria Victoria BenevidesUnião Democrática NacionalPartido Democrata CristãoPartido LibertadorPartido Socialista BrasileiromilitarcearenseJuarez TávoradireitistaPartido Social ProgressistaAdemar de BarrosPartido de Representação PopularPlínio Salgadoex-ministro do trabalhoJoão GoulartJuarez Távoraex-governador de Minas GeraisMilton CamposDanton CoelhoJustiça Eleitoralpartidos políticosPSDPTBVargasCafé FilhoUDNUDNTribuna da ImprensaCarlos LacerdaJuscelinoForças ArmadasJuscelinogeneral Canrobert Pereira da Costacoronel Jurandir MamedeRubens VazPTBgeneral Henrique Teixeira Lottministro da GuerraCafé Filhopresidênciapresidente da Câmara dos DeputadosCarlos LuzPSDJuscelinoCafé Filhogeneral Lottcoronel MamedeCarlos Luzgeneral Lottministro da GuerraForças Armadascapital federalCarlos LuzCarlos Lacerdacoronel MamedeSão Paulobrigadeiro Eduardo Gomesministro da Aeronáuticageneral LottAeronáuticaCarlos Luzbrigadeiro Eduardo GomesRio de JaneiroimpedeCarlos Luzpresidênciapresidente do SenadoNereu Ramosestado de sítioCongressoJKUDNJKJangoTSEJK

































Eleição presidencial no Brasil em 1955
  1950 ← Flag of Brazil.svg → 1960

3 de outubro de 1955


Juscelino.jpg

Juarez Távora 1930.jpg

Ademar Pereira de Barros, Governador de São Paulo.tif
Candidato

Juscelino Kubitschek

Juarez Távora

Adhemar de Barros
Partido

PSD

UDN

PSP
Natural de

Minas Gerais

Ceará

São Paulo
Vencedor em

15 estados
5 estados
4 estados + DF
Votos

3 077 411
2 610 462
2 222 725
Porcentagem

35,68%
30,27%
25,77%

Eleição p.presidente BR 1955.png

Estados e territórios onde cada candidato venceu de acordo com a legenda.



Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil


Titular
Nereu Ramos
PSD




Eleito
Juscelino Kubitschek
PSD
































Eleição vice-presidencial no Brasil em 1955
  1950 ← Flag of Brazil.svg → 1960

3 de outubro de 1955


Jango.jpg

Mílton Soares Campos, Ministro da Justiça..tif

Candidato

João Goulart

Milton Campos

Danton Coelho
Partido

PTB

UDN

PSP
Natural de

Rio Grande do Sul

Minas Gerais

Rio Grande do Sul
Vencedor em

19 estados
4 estados + DF
1 estado
Votos

3 591 409
3 384 739
1 140 261
Porcentagem

44,25%
41,70%
14,05%



Coat of arms of Brazil.svg
Presidente do Brasil


Titular
nenhum
nenhum




Eleito
João Goulart
Partido Trabalhista Brasileiro



A eleição presidencial brasileira de 1955 foi a décima-sexta eleição presidencial e a décima-quarta direta.




Índice





  • 1 Contexto histórico

    • 1.1 Constituição de 1946



  • 2 Candidatos

    • 2.1 Presidência da República


    • 2.2 Vice-presidência da República



  • 3 Resultados

    • 3.1 Presidência da República


    • 3.2 Vice-presidência da República



  • 4 Movimento de 11 de novembro e a Posse


  • 5 Referências




Contexto histórico |


No dia 5 de agosto de 1954, o jornalista Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, sofre uma tentativa de assassinato e sai com um ferimento no pé, ao contrário do major-aviador Rubens Vaz, que estava junto na ocasião e é morto.[1][2] As investigações apontaram Gregório Fortunato como o responsável pelo acontecimento.[3] Gregório era chefe da guarda pessoal do então presidente Getúlio Vargas, e logo, a oposição e os militares exigiram que Vargas renunciasse. Getúlio teria dito: "só morto sairei do Catete". As 8 horas e 30 minutos do dia 24 de agosto de 1954, Getúlio se suicida com um tiro no coração em seus aposentos no Palácio do Catete no Rio de Janeiro.[4][5]


Com a morte de Vargas, assumiu o vice-presidente potiguar João Café Filho, que governou num período de agitação, manipulado pelos políticos da UDN. Em novembro de 1955, após a eleição ser realizada, Café Filho é afastado do governo após um ataque cardíaco.[6] Assume o Presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, que é deposto dias depois sendo acusado de pretender dar um golpe de Estado e evitar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.[7] O Congresso decidiu que o presidente do Senado Nereu Ramos terminaria os dois meses e meio de mandato, e passaria o governo para JK.[8]


Juscelino Kubitschek conta que foi chamado para uma reunião em setembro de 1955 na casa de Nereu Ramos, onde se encontrava o governador de Pernambuco, Etelvino Lins. Etelvino propôs a JK que as eleições fossem adiadas, pois "não havia possibilidade para as eleições, por causa da agitação que havia no país, dos traumas que o país tinha passado." Na União Democrática Nacional, todos estavam de acordo. JK respondeu que não poderia transigir com aquilo.[9]



Constituição de 1946 |


De acordo com a Constituição de 1946, o mandato do presidente vigoraria por cinco anos. Assim, Dutra governara até 31 de janeiro de 1951, passando a faixa presidencial para o eleito nesta eleição.[10] O direito ao voto foi permitido a todos os brasileiros com mais de dezoito anos de ambos os sexos, mas os analfabetos eram proibidos a votar.[11] Foi determinado, também, que a eleição para presidente e vice-presidente ocorreriam de forma separada.



Candidatos |




Primeira cédula eleitoral oficial, com candidatos a presidente e vice.



Presidência da República |


PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT: A coligação do Partido Social Democrático (PSD), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do Partido Republicano (PR), do Partido Trabalhista Nacional (PTN), do Partido Social Trabalhista (PST), e do Partido Republicano Trabalhista (PRT) lançam como candidato o então governador de Minas Gerais Juscelino Kubitschek, do centrista PSD. O slogan da campanha desenvolvimentista era 50 anos de progresso em 5 de governo. O jingle de campanha de JK, era em forma de marchinha de carnaval e ressaltava o nacionalismo e o populismo. O jingle era assim: "Gigante pela própria natureza / há 400 anos a dormir / são 21 estados, são teus / filhos a chamar / agora vem lutar, vamos trabalhar. / Queremos demonstrar ao mundo inteiro / e a todos que nos querem dominar / que o Brasil pertence aos brasileiros, / e um homem vai surgir para trabalhar. / Aparece como estrela radiosa / neste céu azul de anil / o seu nome é uma bandeira gloriosa / pra salvar este Brasil. / Juscelino Kubitschek é o homem / vem de Minas das bateias do sertão / Juscelino, Juscelino é o homem / Que além de patriota é nosso irmão. / Brasil, vamos para as urnas / Povo democrata, gente varonil / Juscelino, Juscelino, Juscelino, / Para presidente do Brasil!"[12]


Para a candidatura de JK, os estados de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não o apoiaram. Em entrevista a 1 de março de 1974 para Maria Victoria Benevides, JK diria: "Uma das maiores dificuldades para articular a aliança com o PTB, era a hostilidade de setores mais conservadores do PSD em relação ao nome de Jango. Mas eu sabia que uma aliança com o PTB era imprescindível; somente uma aliança muito forte poderia enfrentar a oposição e sair vitoriosa; e somente com um candidato que conseguisse a reconciliação entre o voto rural do PSD e o voto urbano do PTB. Foi por isso que insisti no nome de Jango para a vice-presidência; como candidato, tinha que pensar em termos de cálculo político e isto me obrigava a uma aliança com o PTB. No PTB, o nome de Goulart era o que reunia maiores possibilidades."[13]


Na época, o então presidente Café Filho fez fortes críticas a JK na Hora do Brasil. Para poder fortalecer a candidatura, Juscelino deu uma entrevista para o jornal Correio da Manhã, rebatendo as críticas e desmentindo Café.[14] JK conta em entrevista, que no início de 1955, fez várias viagens pelo país, e, em uma cidade do Amazonas, "estava caminhando para a praça para fazer comício, e me disseram: 'A rádio está noticiando que o senhor foi intimado pelos militares a interromper a sua campanha política, e que ou o senhor acede ou será preso'. Respondi: 'Não sei se é verdade, mas vou dizendo que não há força humana que me tire da campanha, a não ser morto. A bandeira que trouxe levarei até o Catete. Eu respeito a democracia e a Constituição'."[15]


PDC/UDN/PL/PSB: A coligação formada pela União Democrática Nacional (UDN), o Partido Democrata Cristão (PDC), o Partido Libertador (PL), e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) lançaram o militar cearense Juarez Távora da direitista UDN como candidato.


PSP: O Partido Social Progressista não fez alianças políticas, e lançou Ademar de Barros como candidato.


PRP: O Partido de Representação Popular não fez alianças políticas, e lançou como candidato o seu fundador, Plínio Salgado.



Vice-presidência da República |


PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT: Pela mesma coligação de JK, foi lançado o ex-ministro do trabalho João Goulart (Jango) como candidato a vice-presidente.


UDN/PDC/PL/PSB: Pela mesma coligação de Juarez Távora, foi lançado o ex-governador de Minas Gerais Milton Campos como candidato a vice.


PSP: O PSP lançou Danton Coelho como candidato para vice-presidente.



Resultados |


Nesta eleição, pela primeira vez no Brasil, se utilizou a cédula eleitoral oficial confeccionada pela Justiça Eleitoral. Antes de 1955 os próprios partidos políticos confeccionavam e distribuíam as cédulas eleitorais.[16]



Presidência da República |

























Eleição para presidente do Brasil em 1955
Candidato
Votos
Porcentagem

Juscelino Kubitschek (PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT)

3.077.411

35,68%

Juarez Távora (UDN/PDC/PL/PSB)
2.610.462
30,27%

Adhemar de Barros (PSP)
2.222.725
25,77%

Plínio Salgado (PRP)
714.379
8,28%

Votos nominais

8.624.977

Votos brancos

161.852

Votos nulos

310.185

Votos apurados

9.097.014
Fonte:[17][18]

Nota: Em negrito, o candidato vencedor, e, em itálico, o partido do candidato.


Estados/Territórios vencidos por Juscelino Kubitschek
Estados/Territórios vencidos por Juarez Távora
Estados/Territórios vencidos por Adhemar de Barros



















































































































































































































































Estado/Território

Juscelino Kubitschek

Juarez Távora

Adhemar de Barros

Plínio Salgado

Votos nominais

Votos brancos

Votos nulos

Votos apurados

Acre

3.906
2.695
1.801
230
8.632
222
180
9.034

Alagoas
38.775

44.126
10.218
5.907
99.026
2.805
5.153
106.984

Amapá

4.039
309
459
79
4.886
61
69
5.016

Amazonas
16.025
7.582

17.994
3.648
45.249
1.957
4.674
51.880

Bahia

200.213
149.771
51.061
63.136
464.181
7.515
26.581
498.277

Ceará
135.779

175.735
29.974
13.408
354.896
7.169
20.987
383.052

Distrito Federal, RJ
199.520
174.804

266.289
35.495
676.108
5.841
11.387
693.336

Espírito Santo

56.650
29.721
41.126
29.531
157.028
2.364
4.855
164.247

Goiás

65.767
26.759
56.121
3.732
152.379
3.507
7.776
163.662

Guaporé
1.739
298

3.459
132
5.628
43
110
5.781

Maranhão

66.508
15.764
55.725
2.599
140.596
5.249
12.997
158.842

Mato Grosso

45.201
33.119
16.327
1.570
96.217
2.393
4.576
103.186

Minas Gerais

713.113
283.567
147.112
78.213
1.222.005
32.466
53.864
1.308.335

Pará

89.344
21.406
65.176
4.213
180.139
4.912
12.215
197.266

Paraíba
81.307

114.128
16.813
9.900
222.148
8.182
9.433
239.763

Paraná
108.031
91.540

127.758
103.256
430.585
10.613
12.942
454.140

Pernambuco
163.919

184.847
51.739
29.200
429.705
12.851
18.308
460.864

Piauí

67.665
43.469
13.164
2.395
126.693
3.938
3.927
134.558

Rio Branco

1.828
448
325
33
2.634
39
44
2.717

Rio de Janeiro

215.456
101.186
122.101
27.683
466.426
5.588
13.416
485.430

Rio Grande do Norte

57.200
45.425
24.822
13.888
141.335
5.769
7.674
154.778

Rio Grande do Sul

329.562
302.595
175.185
66.109
873.451
10.705
19.252
903.408

Santa Catarina

132.739
89.187
57.561
59.162
338.649
4.838
7.956
351.443

São Paulo
240.940
626.627

867.320
159.051
1.893.938
21.497
46.850
1.962.285

Sergipe
42.185

45.354
3.095
1.809
92.443
1.328
4.959
98.730
Total
3.077.411
2.610.462
2.222.725
714.379
8.624.977
161.852
310.185
9.097.014


Estados e territórios onde cada candidato venceu de acordo com a legenda.



Vice-presidência da República |






















Eleição para vice-presidente do Brasil em 1955
Candidato
Votos
Porcentagem

João Goulart (PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT)

3.591.409

44,25%

Milton Campos (UDN/PDC/PL/PSB)
3.384.739
41,70%

Danton Coelho (PSP)
1.140.261
14,05%

Votos nominais

8.116.409

Votos brancos

722.674

Votos nulos

257.931

Votos apurados

9.097.014
Fonte:[17][18]

Nota: Em negrito, o candidato vencedor, e, em itálico, o partido do candidato.


Estados/Territórios vencidos por João Goulart
Estados/Territórios vencidos por Milton Campos
Estados/Territórios vencidos por Danton Coelho
























































































































































































































Estado/Território

João Goulart

Milton Campos

Danton Coelho

Votos nominais

Votos brancos

Votos nulos

Votos apurados

Acre

4.410
2.820
1.071
8.301
662
71
9.034

Alagoas

47.173
43.402
4.190
94.765
7.326
4.893
106.984

Amapá

4.211
252
257
4.720
243
53
5.016

Amazonas

25.568
11.143
4.972
41.683
6.020
4.177
51.880

Bahia

233.115
177.108
26.705
436.928
39.092
22.257
498.277

Ceará
153.524

161.294
26.404
341.222
25.234
16.596
383.052

Distrito Federal, RJ
282.335

303.405
81.943
667.683
15.964
9.689
693.336

Espírito Santo

70.464
46.722
21.526
138.712
22.003
3.532
164.247

Goiás

68.023
56.420
18.731
143.174
15.579
4.909
163.662

Guaporé
1.925
339

3.176
5.440
265
76
5.781

Maranhão

69.981
17.449
50.062
137.492
8.996
12.354
158.842

Mato Grosso

47.040
36.969
8.509
92.518
6.895
3.773
103.186

Minas Gerais

618.985
496.728
44.282
1.159.995
101.527
46.813
1.308.335

Pará

97.176
24.452
51.849
173.477
12.613
11.176
197.266

Paraíba
94.912

103.988
9.648
208.548
24.269
6.946
239.763

Paraná

181.666
159.026
45.495
386.187
58.287
9.666
454.140

Pernambuco

189.409
187.678
24.484
401.571
44.354
14.939
460.864

Piauí

69.765
42.845
10.310
122.920
8.953
2.685
134.558

Rio Branco

1.962
426
163
2.551
122
44
2.717

Rio de Janeiro

257.210
154.320
42.131
453.661
20.882
10.887
485.430

Rio Grande do Norte

67.005
56.138
11.804
134.947
13.319
6.512
154.778

Rio Grande do Sul

423.484
382.105
27.376
832.965
53.450
16.993
903.408

Santa Catarina

153.854
149.284
14.751
317.889
27.510
6.044
351.443

São Paulo
384.083

726.069
608.337
1.718.489
205.401
38.395
1.962.285

Sergipe
44.129

44.357
2.085
90.571
3.708
4.451
98.730
Total
3.591.409
3.384.739
1.140.261
8.116.409
722.674
257.931
9.097.014


Movimento de 11 de novembro e a Posse |



Ver artigo principal: Movimento de 11 de novembro

O Movimento de 11 de novembro foi uma reação por parte da oposição política e militar descontente com a vitória da aliança PSD-PTB nas eleições. Após o suicídio de Vargas, o vice-presidente Café Filho assume o poder e busca apoio político entre elementos da UDN.[19] Uma das plataformas da UDN era o jornal Tribuna da Imprensa, do jornalista Carlos Lacerda, que lançava virulentos ataques à Juscelino e contra a sua posse, chegando ao ponto de publicar um editorial defendendo a intervenção das Forças Armadas.[20] Uma das principais vozes opositoras à candidatura e posse Juscelino, o general Canrobert Pereira da Costa, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e conhecido antigetulista,[21] veio a falecer em 31 de outubro de 1955. No seu funeral o então coronel Jurandir Mamede profere um forte discurso que ressoa a fala que o general palestrou em 5 de agosto de 1955 no Clube de Aeronáutica, pelo aniversário da morte do major-aviador Rubens Vaz, acusando o país de viver em uma "mentira democrática" e do regime existir em uma "pseudolegalidade imoral e corrompida".[22] Prontamente o PTB exige a punição do coronel e o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra busca uma solução para apaziguar a situação, porém Café Filho sofre um ataque cardíaco em 3 de novembro de 1955 e se afasta do poder, sem encontrar solução para encerrar a crise.[23] Assume a presidência o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Carlos Luz, membro da PSD contrário a candidatura de Juscelino, que mantém a posição de Café Filho de rejeitar o pedido do general Lott de afastamento do coronel Mamede.[24]


Com a rejeição de Carlos Luz, o general Lott decide pedir demissão do cargo de ministro da Guerra no dia 10 de novembro de 1955, o que desencadeou uma série de reações por parte de comandantes das Forças Armadas, com a ocupação de pontos chaves da então capital federal, forçando o governo a respeitar a disciplina militar. Com medo da reação militar, Carlos Luz embarca, na madrugada do dia 11 de novembro, no cruzador Tamandaré junto de alguns ministros, Carlos Lacerda e do coronel Mamede e rumam para São Paulo, onde junto do brigadeiro Eduardo Gomes, militar e político antigetulista e na época ministro da Aeronáutica, organizariam uma resistência. Porém com a iniciativa de comandantes liderados pelo general Lott e com o apoio de membros da Aeronáutica, a ação de Carlos Luz e do brigadeiro Eduardo Gomes acaba sendo frustrada.[25] O cruzador retorna ao Rio de Janeiro e em sessão extraordinária impede Carlos Luz da presidência e coloca o presidente do Senado, senador Nereu Ramos, no poder, sendo instaurado estado de sítio no país pelo Congresso em 24 de novembro de 1955, durando até 26 de fevereiro de 1956, garantindo a posse de JK.[26]


Em paralelo a estes eventos, a ala da UDN conhecida como "legalista" lutava por vias legais e parlamentares impedir a posse de JK e Jango, tendo apresentado na véspera das eleições uma emenda constitucional transferindo para a Câmara dos Deputados a eleição presidencial no caso de o eleito não conseguir maioria absoluta (50% mais 1 dos votos), sem sucesso na aprovação[27] e a criação de uma cédula única para a votação. O TSE só viria a reconhecer a vitória de JK em 7 de janeiro de 1956, menos de um mês antes da posse, em 31 de janeiro de 1956[28]



Referências



  1. «Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida». Folha de S. Paulo. Consultado em 17 de fevereiro de 2019 


  2. «TONELEROS, ATENTADO DA |». CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 17 de fevereiro de 2019 


  3. «O atentado da Rua Tonelero», Observatório da Imprensa [ligação inativa]


  4. Por que Getúlio se matou?[ligação inativa] Neto, Lira. (1/8/2004) Aventuras na História, Guia do Estudante. Acessado em 16/11/2011.


  5. «1954: Brazilian president found dead» (em inglês). British Broadcasting Corporation. 24 de agosto de 1954. Consultado em 17 de fevereiro de 2019 


  6. João Fernandes Campos Café Filho UOL Biografias. Acessado em 16/11/2011.


  7. Carlos Luz UOL Biografias. Acessado em 16/11/2011.


  8. Nereu Ramos UOL Biografias. Acessado em 16/11/2011.


  9. OLIVEIRA, Juscelino Kubitschek de. Juscelino Kubitschek I
    (depoimento, 1974). Rio de Janeiro, CPDOC, 1979. 15 p. dat. Página 8.



  10. Constituição de 1946 dos Estados Unidos do Brasil/Título I/Capítulo III/Artigo 82 Acessado em 12/11/2011.


  11. Júnior, Alfredo Boulos. História, Sociedade e Cidadania. 9º ano. 1ª edição - São Paulo - 2009.


  12. Jingle da campanha à presidência de JK em 1955 Propagandas antigas. Acessado em 17/11/2011.


  13. Oliveira, Página 9.


  14. Oliveira, Página 11.


  15. Oliveira, Página 13.


  16. «Cédula eleitoral». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 1 de junho de 2012 


  17. ab Eleição Presidencial - 3 de outubro de 1955 (Domingo).[ligação inativa] (Pós 1945) Acessado em 19/11/2011.


  18. ab Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral (página do IBGE)


  19. JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro LAMARÃO, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.


  20. Jornal Tribuna da Imprensa. Rio de Janeiro, ed. 1781, ano 7, 4 de nov. 1955, p.4. Acessado em 04/11/2017 pelo acervo da Biblioteca Nacional Digital


  21. Canrobert Pereira da CostaDicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.


  22. Jornal Tribuna da Imprensa. Rio de Janeiro, ed. 1779, ano 7, 1 de nov. 1955, p.4. Acessado em 04/11/2017 pelo acervo da Biblioteca Nacional Digital


  23. JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro Lamarão, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.


  24. Carlos Luz Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.


  25. JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembro LAMARÃO, S.T.N. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017.


  26. Nereu RamosDicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.


  27. JK rumo à presidência: O difícil caminho da candidatura Ferreira, Marieta de Moraes. 2009. DHBB da FGV/CPDOC. Acessado em 4/11/2017


  28. Juscelino Kubitschek Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Acessado pelo FGV/CPDOC em 04/11/2017.
















Popular posts from this blog

Era Viking Índice Início da Era Viquingue | Cotidiano | Sociedade | Língua | Religião | A arte | As primeiras cidades | As viagens dos viquingues | Viquingues do Oeste e Leste | Fim da Era Viquingue | Fontes históricas | Referências Bibliografia | Ligações externas | Menu de navegação«Sverige då!»«Handel I vikingetid»«O que é Nórdico Antigo»Mito, magia e religião na volsunga saga Um olhar sobre a trajetória mítica do herói sigurd«Bonden var den verklige vikingen»«Vikingatiden»«Vikingatiden»«Vinland»«Guerreiras de Óðinn: As Valkyrjor na Mitologia Viking»1519-9053«Esculpindo símbolos e seres: A arte viking em pedras rúnicas»1679-9313Historia - Tema: VikingarnaAventura e Magia no Mundo das Sagas IslandesasEra Vikinge

What's the metal clinking sound at the end of credits in Avengers: Endgame?What makes Thanos so strong in Avengers: Endgame?Who is the character that appears at the end of Endgame?What happens to Mjolnir (Thor's hammer) at the end of Endgame?The People's Ages in Avengers: EndgameWhat did Nebula do in Avengers: Endgame?Messing with time in the Avengers: Endgame climaxAvengers: Endgame timelineWhat are the time-travel rules in Avengers Endgame?Why use this song in Avengers: Endgame Opening Logo Sequence?Peggy's age in Avengers Endgame

Are there legal definitions of ethnicities/races? The 2019 Stack Overflow Developer Survey Results Are In Announcing the arrival of Valued Associate #679: Cesar Manara Planned maintenance scheduled April 17/18, 2019 at 00:00UTC (8:00pm US/Eastern)Legal definitions in the United StatesAre there truly legal limits on US interest rates?Are gender identity and sexual orientation federally protected?Why is there an apparent legal bias against digital services?What limits are there to the powers of individual judges in the United States legal system?Are women only scholarships legal under Irish / EU law?Is the term “race” defined by Public Law enacted by Congress of the United StatesIs there a legal definition of race in the US?Neighbors are spying for landlord on Renters is it legal?Are Protected Classes Bi-directional?