Eleição presidencial no Brasil em 1955 Índice Contexto histórico | Candidatos | Resultados | Movimento de 11 de novembro e a Posse | Referências Menu de navegação«Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida»«TONELEROS, ATENTADO DA |»«O atentado da Rua Tonelero»Por que Getúlio se matou?«1954: Brazilian president found dead»João Fernandes Campos Café FilhoCarlos LuzNereu RamosPágina 8Constituição de 1946 dos Estados Unidos do Brasil/Título I/Capítulo III/Artigo 82Jingle da campanha à presidência de JK em 1955 Página 9Página 11Página 13«Cédula eleitoral»Eleição Presidencial - 3 de outubro de 1955 (Domingo).Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral (página do IBGE)JK rumo à presidência: Movimento 11 de novembroBiblioteca Nacional DigitalCanrobert Pereira da CostaFGV/CPDOCBiblioteca Nacional DigitalJK rumo à presidência: Movimento 11 de novembroCarlos LuzFGV/CPDOCJK rumo à presidência: Movimento 11 de novembroNereu RamosFGV/CPDOCJK rumo à presidência: O difícil caminho da candidaturaJuscelino KubitschekFGV/CPDOCe
Eleições gerais no Brasil em 1955Eleições presidenciais no Brasil
Nereu RamosPSDJuscelino KubitschekPSDJoão GoulartPartido Trabalhista Brasileirodireta5 de agosto1954Carlos LacerdaTribuna da Imprensatentativa de assassinatoRubens VazGregório FortunatoGetúlio Vargasmilitares24 de agosto1954Palácio do CateteRio de JaneiropotiguarJoão Café FilhoUDNataque cardíacoPresidente da Câmara dos DeputadosCarlos Luzgolpe de EstadoCongressopresidente do SenadoNereu RamosPernambucoEtelvino LinsConstituição de 194631 de janeiro1951Partido Social DemocráticoPartido Trabalhista BrasileiroPartido RepublicanoPartido Trabalhista NacionalPartido Social TrabalhistaPartido Republicano Trabalhistagovernador de Minas GeraisJuscelino Kubitschekcentristamarchinha de carnavalnacionalismopopulismoPernambucoSanta CatarinaRio Grande do SulMaria Victoria BenevidesUnião Democrática NacionalPartido Democrata CristãoPartido LibertadorPartido Socialista BrasileiromilitarcearenseJuarez TávoradireitistaPartido Social ProgressistaAdemar de BarrosPartido de Representação PopularPlínio Salgadoex-ministro do trabalhoJoão GoulartJuarez Távoraex-governador de Minas GeraisMilton CamposDanton CoelhoJustiça Eleitoralpartidos políticosPSDPTBVargasCafé FilhoUDNUDNTribuna da ImprensaCarlos LacerdaJuscelinoForças ArmadasJuscelinogeneral Canrobert Pereira da Costacoronel Jurandir MamedeRubens VazPTBgeneral Henrique Teixeira Lottministro da GuerraCafé Filhopresidênciapresidente da Câmara dos DeputadosCarlos LuzPSDJuscelinoCafé Filhogeneral Lottcoronel MamedeCarlos Luzgeneral Lottministro da GuerraForças Armadascapital federalCarlos LuzCarlos Lacerdacoronel MamedeSão Paulobrigadeiro Eduardo Gomesministro da Aeronáuticageneral LottAeronáuticaCarlos Luzbrigadeiro Eduardo GomesRio de JaneiroimpedeCarlos Luzpresidênciapresidente do SenadoNereu Ramosestado de sítioCongressoJKUDNJKJangoTSEJK
| 1950 ← | ||||
3 de outubro de 1955 | ||||
|---|---|---|---|---|
| Candidato | Juscelino Kubitschek | Juarez Távora | Adhemar de Barros | |
| Partido | PSD | UDN | PSP | |
| Natural de | Minas Gerais | Ceará | São Paulo | |
| Vencedor em | 15 estados | 5 estados | 4 estados + DF | |
| Votos | 3 077 411 | 2 610 462 | 2 222 725 | |
| Porcentagem | 35,68% | 30,27% | 25,77% | |
Estados e territórios onde cada candidato venceu de acordo com a legenda. | ||||
Presidente do Brasil Titular Eleito | ||||
| 1950 ← | ||||
3 de outubro de 1955 | ||||
|---|---|---|---|---|
| Candidato | João Goulart | Milton Campos | Danton Coelho | |
| Partido | PTB | UDN | PSP | |
| Natural de | Rio Grande do Sul | Minas Gerais | Rio Grande do Sul | |
| Vencedor em | 19 estados | 4 estados + DF | 1 estado | |
| Votos | 3 591 409 | 3 384 739 | 1 140 261 | |
| Porcentagem | 44,25% | 41,70% | 14,05% | |
Presidente do Brasil Titular Eleito | ||||
A eleição presidencial brasileira de 1955 foi a décima-sexta eleição presidencial e a décima-quarta direta.
Índice
1 Contexto histórico
1.1 Constituição de 1946
2 Candidatos
2.1 Presidência da República
2.2 Vice-presidência da República
3 Resultados
3.1 Presidência da República
3.2 Vice-presidência da República
4 Movimento de 11 de novembro e a Posse
5 Referências
Contexto histórico |
No dia 5 de agosto de 1954, o jornalista Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, sofre uma tentativa de assassinato e sai com um ferimento no pé, ao contrário do major-aviador Rubens Vaz, que estava junto na ocasião e é morto.[1][2] As investigações apontaram Gregório Fortunato como o responsável pelo acontecimento.[3] Gregório era chefe da guarda pessoal do então presidente Getúlio Vargas, e logo, a oposição e os militares exigiram que Vargas renunciasse. Getúlio teria dito: "só morto sairei do Catete". As 8 horas e 30 minutos do dia 24 de agosto de 1954, Getúlio se suicida com um tiro no coração em seus aposentos no Palácio do Catete no Rio de Janeiro.[4][5]
Com a morte de Vargas, assumiu o vice-presidente potiguar João Café Filho, que governou num período de agitação, manipulado pelos políticos da UDN. Em novembro de 1955, após a eleição ser realizada, Café Filho é afastado do governo após um ataque cardíaco.[6] Assume o Presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, que é deposto dias depois sendo acusado de pretender dar um golpe de Estado e evitar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.[7] O Congresso decidiu que o presidente do Senado Nereu Ramos terminaria os dois meses e meio de mandato, e passaria o governo para JK.[8]
Juscelino Kubitschek conta que foi chamado para uma reunião em setembro de 1955 na casa de Nereu Ramos, onde se encontrava o governador de Pernambuco, Etelvino Lins. Etelvino propôs a JK que as eleições fossem adiadas, pois "não havia possibilidade para as eleições, por causa da agitação que havia no país, dos traumas que o país tinha passado." Na União Democrática Nacional, todos estavam de acordo. JK respondeu que não poderia transigir com aquilo.[9]
Constituição de 1946 |
De acordo com a Constituição de 1946, o mandato do presidente vigoraria por cinco anos. Assim, Dutra governara até 31 de janeiro de 1951, passando a faixa presidencial para o eleito nesta eleição.[10] O direito ao voto foi permitido a todos os brasileiros com mais de dezoito anos de ambos os sexos, mas os analfabetos eram proibidos a votar.[11] Foi determinado, também, que a eleição para presidente e vice-presidente ocorreriam de forma separada.
Candidatos |
Primeira cédula eleitoral oficial, com candidatos a presidente e vice.
Presidência da República |
PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT: A coligação do Partido Social Democrático (PSD), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do Partido Republicano (PR), do Partido Trabalhista Nacional (PTN), do Partido Social Trabalhista (PST), e do Partido Republicano Trabalhista (PRT) lançam como candidato o então governador de Minas Gerais Juscelino Kubitschek, do centrista PSD. O slogan da campanha desenvolvimentista era 50 anos de progresso em 5 de governo. O jingle de campanha de JK, era em forma de marchinha de carnaval e ressaltava o nacionalismo e o populismo. O jingle era assim: "Gigante pela própria natureza / há 400 anos a dormir / são 21 estados, são teus / filhos a chamar / agora vem lutar, vamos trabalhar. / Queremos demonstrar ao mundo inteiro / e a todos que nos querem dominar / que o Brasil pertence aos brasileiros, / e um homem vai surgir para trabalhar. / Aparece como estrela radiosa / neste céu azul de anil / o seu nome é uma bandeira gloriosa / pra salvar este Brasil. / Juscelino Kubitschek é o homem / vem de Minas das bateias do sertão / Juscelino, Juscelino é o homem / Que além de patriota é nosso irmão. / Brasil, vamos para as urnas / Povo democrata, gente varonil / Juscelino, Juscelino, Juscelino, / Para presidente do Brasil!"[12]
Para a candidatura de JK, os estados de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não o apoiaram. Em entrevista a 1 de março de 1974 para Maria Victoria Benevides, JK diria: "Uma das maiores dificuldades para articular a aliança com o PTB, era a hostilidade de setores mais conservadores do PSD em relação ao nome de Jango. Mas eu sabia que uma aliança com o PTB era imprescindível; somente uma aliança muito forte poderia enfrentar a oposição e sair vitoriosa; e somente com um candidato que conseguisse a reconciliação entre o voto rural do PSD e o voto urbano do PTB. Foi por isso que insisti no nome de Jango para a vice-presidência; como candidato, tinha que pensar em termos de cálculo político e isto me obrigava a uma aliança com o PTB. No PTB, o nome de Goulart era o que reunia maiores possibilidades."[13]
Na época, o então presidente Café Filho fez fortes críticas a JK na Hora do Brasil. Para poder fortalecer a candidatura, Juscelino deu uma entrevista para o jornal Correio da Manhã, rebatendo as críticas e desmentindo Café.[14] JK conta em entrevista, que no início de 1955, fez várias viagens pelo país, e, em uma cidade do Amazonas, "estava caminhando para a praça para fazer comício, e me disseram: 'A rádio está noticiando que o senhor foi intimado pelos militares a interromper a sua campanha política, e que ou o senhor acede ou será preso'. Respondi: 'Não sei se é verdade, mas vou dizendo que não há força humana que me tire da campanha, a não ser morto. A bandeira que trouxe levarei até o Catete. Eu respeito a democracia e a Constituição'."[15]
PDC/UDN/PL/PSB: A coligação formada pela União Democrática Nacional (UDN), o Partido Democrata Cristão (PDC), o Partido Libertador (PL), e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) lançaram o militar cearense Juarez Távora da direitista UDN como candidato.
PSP: O Partido Social Progressista não fez alianças políticas, e lançou Ademar de Barros como candidato.
PRP: O Partido de Representação Popular não fez alianças políticas, e lançou como candidato o seu fundador, Plínio Salgado.
Vice-presidência da República |
PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT: Pela mesma coligação de JK, foi lançado o ex-ministro do trabalho João Goulart (Jango) como candidato a vice-presidente.
UDN/PDC/PL/PSB: Pela mesma coligação de Juarez Távora, foi lançado o ex-governador de Minas Gerais Milton Campos como candidato a vice.
PSP: O PSP lançou Danton Coelho como candidato para vice-presidente.
Resultados |
Nesta eleição, pela primeira vez no Brasil, se utilizou a cédula eleitoral oficial confeccionada pela Justiça Eleitoral. Antes de 1955 os próprios partidos políticos confeccionavam e distribuíam as cédulas eleitorais.[16]
Presidência da República |
| Eleição para presidente do Brasil em 1955 | ||
|---|---|---|
| Candidato | Votos | Porcentagem |
Juscelino Kubitschek (PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT) | 3.077.411 | 35,68% |
Juarez Távora (UDN/PDC/PL/PSB) | 2.610.462 | 30,27% |
Adhemar de Barros (PSP) | 2.222.725 | 25,77% |
Plínio Salgado (PRP) | 714.379 | 8,28% |
Votos nominais | 8.624.977 | |
Votos brancos | 161.852 | |
Votos nulos | 310.185 | |
Votos apurados | 9.097.014 | |
| Fonte:[17][18] | ||
Nota: Em negrito, o candidato vencedor, e, em itálico, o partido do candidato.
| Estados/Territórios vencidos por Juscelino Kubitschek |
| Estados/Territórios vencidos por Juarez Távora |
| Estados/Territórios vencidos por Adhemar de Barros |
| Estado/Território | Juscelino Kubitschek | Juarez Távora | Adhemar de Barros | Plínio Salgado | Votos nominais | Votos brancos | Votos nulos | Votos apurados |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Acre | 3.906 | 2.695 | 1.801 | 230 | 8.632 | 222 | 180 | 9.034 |
Alagoas | 38.775 | 44.126 | 10.218 | 5.907 | 99.026 | 2.805 | 5.153 | 106.984 |
Amapá | 4.039 | 309 | 459 | 79 | 4.886 | 61 | 69 | 5.016 |
Amazonas | 16.025 | 7.582 | 17.994 | 3.648 | 45.249 | 1.957 | 4.674 | 51.880 |
Bahia | 200.213 | 149.771 | 51.061 | 63.136 | 464.181 | 7.515 | 26.581 | 498.277 |
Ceará | 135.779 | 175.735 | 29.974 | 13.408 | 354.896 | 7.169 | 20.987 | 383.052 |
Distrito Federal, RJ | 199.520 | 174.804 | 266.289 | 35.495 | 676.108 | 5.841 | 11.387 | 693.336 |
Espírito Santo | 56.650 | 29.721 | 41.126 | 29.531 | 157.028 | 2.364 | 4.855 | 164.247 |
Goiás | 65.767 | 26.759 | 56.121 | 3.732 | 152.379 | 3.507 | 7.776 | 163.662 |
Guaporé | 1.739 | 298 | 3.459 | 132 | 5.628 | 43 | 110 | 5.781 |
Maranhão | 66.508 | 15.764 | 55.725 | 2.599 | 140.596 | 5.249 | 12.997 | 158.842 |
Mato Grosso | 45.201 | 33.119 | 16.327 | 1.570 | 96.217 | 2.393 | 4.576 | 103.186 |
Minas Gerais | 713.113 | 283.567 | 147.112 | 78.213 | 1.222.005 | 32.466 | 53.864 | 1.308.335 |
Pará | 89.344 | 21.406 | 65.176 | 4.213 | 180.139 | 4.912 | 12.215 | 197.266 |
Paraíba | 81.307 | 114.128 | 16.813 | 9.900 | 222.148 | 8.182 | 9.433 | 239.763 |
Paraná | 108.031 | 91.540 | 127.758 | 103.256 | 430.585 | 10.613 | 12.942 | 454.140 |
Pernambuco | 163.919 | 184.847 | 51.739 | 29.200 | 429.705 | 12.851 | 18.308 | 460.864 |
Piauí | 67.665 | 43.469 | 13.164 | 2.395 | 126.693 | 3.938 | 3.927 | 134.558 |
Rio Branco | 1.828 | 448 | 325 | 33 | 2.634 | 39 | 44 | 2.717 |
Rio de Janeiro | 215.456 | 101.186 | 122.101 | 27.683 | 466.426 | 5.588 | 13.416 | 485.430 |
Rio Grande do Norte | 57.200 | 45.425 | 24.822 | 13.888 | 141.335 | 5.769 | 7.674 | 154.778 |
Rio Grande do Sul | 329.562 | 302.595 | 175.185 | 66.109 | 873.451 | 10.705 | 19.252 | 903.408 |
Santa Catarina | 132.739 | 89.187 | 57.561 | 59.162 | 338.649 | 4.838 | 7.956 | 351.443 |
São Paulo | 240.940 | 626.627 | 867.320 | 159.051 | 1.893.938 | 21.497 | 46.850 | 1.962.285 |
Sergipe | 42.185 | 45.354 | 3.095 | 1.809 | 92.443 | 1.328 | 4.959 | 98.730 |
| Total | 3.077.411 | 2.610.462 | 2.222.725 | 714.379 | 8.624.977 | 161.852 | 310.185 | 9.097.014 |
Estados e territórios onde cada candidato venceu de acordo com a legenda.
Vice-presidência da República |
| Eleição para vice-presidente do Brasil em 1955 | ||
|---|---|---|
| Candidato | Votos | Porcentagem |
João Goulart (PSD/PTB/PR/PTN/PST/PRT) | 3.591.409 | 44,25% |
Milton Campos (UDN/PDC/PL/PSB) | 3.384.739 | 41,70% |
Danton Coelho (PSP) | 1.140.261 | 14,05% |
Votos nominais | 8.116.409 | |
Votos brancos | 722.674 | |
Votos nulos | 257.931 | |
Votos apurados | 9.097.014 | |
| Fonte:[17][18] | ||
Nota: Em negrito, o candidato vencedor, e, em itálico, o partido do candidato.
| Estados/Territórios vencidos por João Goulart |
| Estados/Territórios vencidos por Milton Campos |
| Estados/Territórios vencidos por Danton Coelho |
| Estado/Território | João Goulart | Milton Campos | Danton Coelho | Votos nominais | Votos brancos | Votos nulos | Votos apurados |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
Acre | 4.410 | 2.820 | 1.071 | 8.301 | 662 | 71 | 9.034 |
Alagoas | 47.173 | 43.402 | 4.190 | 94.765 | 7.326 | 4.893 | 106.984 |
Amapá | 4.211 | 252 | 257 | 4.720 | 243 | 53 | 5.016 |
Amazonas | 25.568 | 11.143 | 4.972 | 41.683 | 6.020 | 4.177 | 51.880 |
Bahia | 233.115 | 177.108 | 26.705 | 436.928 | 39.092 | 22.257 | 498.277 |
Ceará | 153.524 | 161.294 | 26.404 | 341.222 | 25.234 | 16.596 | 383.052 |
Distrito Federal, RJ | 282.335 | 303.405 | 81.943 | 667.683 | 15.964 | 9.689 | 693.336 |
Espírito Santo | 70.464 | 46.722 | 21.526 | 138.712 | 22.003 | 3.532 | 164.247 |
Goiás | 68.023 | 56.420 | 18.731 | 143.174 | 15.579 | 4.909 | 163.662 |
Guaporé | 1.925 | 339 | 3.176 | 5.440 | 265 | 76 | 5.781 |
Maranhão | 69.981 | 17.449 | 50.062 | 137.492 | 8.996 | 12.354 | 158.842 |
Mato Grosso | 47.040 | 36.969 | 8.509 | 92.518 | 6.895 | 3.773 | 103.186 |
Minas Gerais | 618.985 | 496.728 | 44.282 | 1.159.995 | 101.527 | 46.813 | 1.308.335 |
Pará | 97.176 | 24.452 | 51.849 | 173.477 | 12.613 | 11.176 | 197.266 |
Paraíba | 94.912 | 103.988 | 9.648 | 208.548 | 24.269 | 6.946 | 239.763 |
Paraná | 181.666 | 159.026 | 45.495 | 386.187 | 58.287 | 9.666 | 454.140 |
Pernambuco | 189.409 | 187.678 | 24.484 | 401.571 | 44.354 | 14.939 | 460.864 |
Piauí | 69.765 | 42.845 | 10.310 | 122.920 | 8.953 | 2.685 | 134.558 |
Rio Branco | 1.962 | 426 | 163 | 2.551 | 122 | 44 | 2.717 |
Rio de Janeiro | 257.210 | 154.320 | 42.131 | 453.661 | 20.882 | 10.887 | 485.430 |
Rio Grande do Norte | 67.005 | 56.138 | 11.804 | 134.947 | 13.319 | 6.512 | 154.778 |
Rio Grande do Sul | 423.484 | 382.105 | 27.376 | 832.965 | 53.450 | 16.993 | 903.408 |
Santa Catarina | 153.854 | 149.284 | 14.751 | 317.889 | 27.510 | 6.044 | 351.443 |
São Paulo | 384.083 | 726.069 | 608.337 | 1.718.489 | 205.401 | 38.395 | 1.962.285 |
Sergipe | 44.129 | 44.357 | 2.085 | 90.571 | 3.708 | 4.451 | 98.730 |
| Total | 3.591.409 | 3.384.739 | 1.140.261 | 8.116.409 | 722.674 | 257.931 | 9.097.014 |
Movimento de 11 de novembro e a Posse |
O Movimento de 11 de novembro foi uma reação por parte da oposição política e militar descontente com a vitória da aliança PSD-PTB nas eleições. Após o suicídio de Vargas, o vice-presidente Café Filho assume o poder e busca apoio político entre elementos da UDN.[19] Uma das plataformas da UDN era o jornal Tribuna da Imprensa, do jornalista Carlos Lacerda, que lançava virulentos ataques à Juscelino e contra a sua posse, chegando ao ponto de publicar um editorial defendendo a intervenção das Forças Armadas.[20] Uma das principais vozes opositoras à candidatura e posse Juscelino, o general Canrobert Pereira da Costa, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e conhecido antigetulista,[21] veio a falecer em 31 de outubro de 1955. No seu funeral o então coronel Jurandir Mamede profere um forte discurso que ressoa a fala que o general palestrou em 5 de agosto de 1955 no Clube de Aeronáutica, pelo aniversário da morte do major-aviador Rubens Vaz, acusando o país de viver em uma "mentira democrática" e do regime existir em uma "pseudolegalidade imoral e corrompida".[22] Prontamente o PTB exige a punição do coronel e o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra busca uma solução para apaziguar a situação, porém Café Filho sofre um ataque cardíaco em 3 de novembro de 1955 e se afasta do poder, sem encontrar solução para encerrar a crise.[23] Assume a presidência o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Carlos Luz, membro da PSD contrário a candidatura de Juscelino, que mantém a posição de Café Filho de rejeitar o pedido do general Lott de afastamento do coronel Mamede.[24]
Com a rejeição de Carlos Luz, o general Lott decide pedir demissão do cargo de ministro da Guerra no dia 10 de novembro de 1955, o que desencadeou uma série de reações por parte de comandantes das Forças Armadas, com a ocupação de pontos chaves da então capital federal, forçando o governo a respeitar a disciplina militar. Com medo da reação militar, Carlos Luz embarca, na madrugada do dia 11 de novembro, no cruzador Tamandaré junto de alguns ministros, Carlos Lacerda e do coronel Mamede e rumam para São Paulo, onde junto do brigadeiro Eduardo Gomes, militar e político antigetulista e na época ministro da Aeronáutica, organizariam uma resistência. Porém com a iniciativa de comandantes liderados pelo general Lott e com o apoio de membros da Aeronáutica, a ação de Carlos Luz e do brigadeiro Eduardo Gomes acaba sendo frustrada.[25] O cruzador retorna ao Rio de Janeiro e em sessão extraordinária impede Carlos Luz da presidência e coloca o presidente do Senado, senador Nereu Ramos, no poder, sendo instaurado estado de sítio no país pelo Congresso em 24 de novembro de 1955, durando até 26 de fevereiro de 1956, garantindo a posse de JK.[26]
Em paralelo a estes eventos, a ala da UDN conhecida como "legalista" lutava por vias legais e parlamentares impedir a posse de JK e Jango, tendo apresentado na véspera das eleições uma emenda constitucional transferindo para a Câmara dos Deputados a eleição presidencial no caso de o eleito não conseguir maioria absoluta (50% mais 1 dos votos), sem sucesso na aprovação[27] e a criação de uma cédula única para a votação. O TSE só viria a reconhecer a vitória de JK em 7 de janeiro de 1956, menos de um mês antes da posse, em 31 de janeiro de 1956[28]
Referências
↑ «Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida». Folha de S. Paulo. Consultado em 17 de fevereiro de 2019
↑ «TONELEROS, ATENTADO DA |». CPDOC – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 17 de fevereiro de 2019
↑ «O atentado da Rua Tonelero», Observatório da Imprensa [ligação inativa]
↑ Por que Getúlio se matou?[ligação inativa] Neto, Lira. (1/8/2004) Aventuras na História, Guia do Estudante. Acessado em 16/11/2011.
↑ «1954: Brazilian president found dead» (em inglês). British Broadcasting Corporation. 24 de agosto de 1954. Consultado em 17 de fevereiro de 2019
↑ João Fernandes Campos Café Filho UOL Biografias. Acessado em 16/11/2011.
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